sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Maratona de Leitura Tupiniquim (parte 1)

O malandro adentra a conhecida livraria no centro de Pitboyland. Ele traja jeans velho, tênis simples e camiseta dos Ramones. Com trejeitos de Kid Morangueira made in Hardcore Brasília, ele se aprochega de uma das jovens funcionárias e lasca-lhe a infâme pergunta:
“Bom dia. Você tem a nova edição de ‘Guerra e Paz’?”
“Qual o autor, senhor?”
O malandro não perdoa e é rápido no gatilho:
“Paulo Coelho...”
“Vou verificar, mas acho que ainda não recebemos...”
Tais situações são comuns em Pitboyland.
Tome muito cuidado.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eleições Freak 2010

Com o começo da propaganda eleitoral "gratuita" nas rádios e TVs, foi dada a largada para mais uma eleição Freak.
Serra brincalhão, no melhor estilo hippie...
O que diabos é aquela última cena da campanha da Dilma?! Ela joga o pedaço de pau no Lago Paranoá e espera que seu cão volte ensopado (tadinho...) para sacolejar toda aquela água para todos os lados. Momento Lassie ou momento Benji?
O que são aqueles zooms das mãos do Rodrigo Maia? São milagrosas? Ele sabe fazer aqueles brinquedos retorcendo balões coloridos? Creepy, mas não tão creepy quanto a "Revenge of César Maia" e demais correligionários...
Solange Amaral, Marcelo Itagiba e Picciani Junior: creepy, creepy and dummy...
Teremos mais, muito mais, durante alguns meses.
Aguarde, amigo leitor...

Pregunta (sic) da Semana (parte 02)

O candidato verde Alfredo Sirkis é clone do Jeff Bridges? Até a voz é a mesma...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Kill Whitey!!! (ou "Meus Felizes 15 Minutos de Fama com o IBGE"...)


Já passava das onze horas da manhã quando o porteiro do prédio ligou pelo interfone. Anunciava a presença do IBGE, que passava de casa em casa para anotar as informações do Censo 2010. Normalmente, eu não atenderia. Se tivesse rotweiller, soltava pelo menos um. Mas nesta campanha pessoal para apagar minha fama de ranzinza, resolvi acolher a dupla de recenseadores. Fiz um cafézinho, arrumei duas xícaras, arrumei o pote de açucar e o adoçante, posicionei as colheres de modo impecável. Em suma: dei uma de Hannibal Lecter antes de abocanhar a vítima.
Soou a estridente campainha da porta de serviço. Vestindo bermuda, camiseta e boné, atendi. Lá estava a dupla: um moço grandão, magro e com jeito de ingênuo; e sua colega, uma senhora de 50 ou 60 e poucos anos, trejeitos de boa senhora e de fiel freqüentadora da missa das sete. Ambos educados, trajando o colete do IBGE, pedindo licença, me chamando de “querido” e “jovem”, adentraram meu sacrossanto e humilde lar. Rapidamente, embalado pelo peculiar aroma de café fresquinho, ofereci uma xícara do negro líquido.
Recusaram sem papas na língua.
Ok. Sem problemas. Acontece. Nem todos aceitam.
Já instalada no sofá da sala e munida de um aparelho eletrônico contendo as perguntas, a dupla iniciou o censo. Nome. Respondi. Sexo. Masculino ou feminino? Titubeei, não por dúvida, mas, sim, pela própria obviedade da questão.
“É masculino, né?”, perguntou o mais alto.
“É...”, respondi, sorridente.
“É que não podemos induzir a resposta”, completou a senhorinha.
Situação do apartamento. É próprio? Alugado? Nome dos pais? Moram aqui ou fora? Em que país?
“No Gabão”, respondi.
“No Japão...”, murmurou o moço, escrevendo o resultado no aparelhinho.
“Não, não. Gabão, na África...”, corrigi.
“Ah...sei. Qual a sua raça?”
Ah! A fatídica pergunta! At last! A tão visada indagação! A polêmica em forma de letras! Qual a minha raça!!! Insultaria eu meus ancestrais, apagando dos anais as escapadinhas dos tempos coloniais desta território tupiniquim? Daria eu uma bofetada nos meus antepassados portugueses, franceses e gregos, mais invadidos que campo de futebol de campeonato russo? Era eu um simples branquinho de 36 anos? Um sujeito poliglota sem vínculo algum com o ufanismo reinante? Era eu uma mistura ambulante de povos? Um mulato que não gostava de sol? Um branquela cujo tom de pele não faria feio no interior do Paquistão?
Na dúvida, escolhi o caminho mais técnico:
“...Caucasiano...”
“Não tem essa opção...”, disse a senhora.
“Então é branco mesmo...”
“Salário?”
Come on. Eu posso até responder aquela baboseira de autônomo, mas prefiro dificultar. Mesmo desempregado há anos.
“Entre 2500 e 3000 reais...”
Nesse ponto, eu já divagava e mentia descaradamente. O que diabos aconteceria se eu respondesse a verdade? Ganharia uma viagem ao Nordeste? Um aperto de mão de algum presidente ou ministro? Uma noitada com a Betty Faria? Nada disso. Convenhamos: os caras nem meu café aceitaram. Após a pergunta sobre meu salário, a dupla se levantou, agradeceu (“’brigado, querido...”) e se mandou.
Cá pra nós, achei que esse Censo era mais dinâmico. Algo com perguntas do tipo “você tem uma vida sexual chegada num fetichismo de vertente européia?”, “quantas vezes assistiu ao filme Caçadores da Arca Perdida?” ou “você já fumou crack no banheiro de um avião?”. Não tinha nada disso. Foi muito sem graça, uma verdadeira perda de tempo para uma quinta-feira de agosto.
E um desperdício de café, que acabou indo pelo ralo da pia.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pregunta (sic) da Semana

Wyclef Jean quer ser o quê?!!!...

terça-feira, 27 de julho de 2010

1993 não voltará (e isso talvez seja bom para toda a população mundial...)


Eu estava na Lapa, prestes a entrar no Teatro Odisséia, onde começaria a primeira de duas noites de um festival anual de rockabilly em Pitboyland. A rua estava interditada, e centenas – talvez milhares – de cariocas e turistas se dividiam em bandos dos mais dispares gostos. Punks ladeavam funkeiros; rockabillies passavam por entre bolos de playboys; garotões anabolizados desprovidos de camisas olhavam feio para todos.
Era noite de sexta-feira e os perigos ainda não haviam dado as caras.
Com uma lata de cerveja na mão e um olhar cansado, eu tentava alternar piadinhas sem graça, sinais de pessimismo e uma calma falsificada em algum buraco do meu ego. Encontramos um grupo de conhecidos, que logo nos chamou para entrarmos na fila. Não demorou muito para que um sujeito baixinho – cujo nome nunca foi pronunciado mas que aparentemente estava acompanhando uma das meninas – proferisse alguma inverdade a respeito de Elvis Presley; fato que soou como uma blasfêmia e que fez com que a maioria do grupo desejasse linchar o menino in loco. Houve uma tentativa de desculpas; houve um princípio de choro e mais alguns elementos que me escapam neste exato momento. O fato é que, uma hora mais tarde, lá estava o baixinho de cabeça raspada, dançando feito um debilitado mental ao som de “Wooly Booly”. Certos comportamentos são explicados pela ciência. Outras menos.
Não sei por que diabos isso acontecia, mas por momentos queria ouvir o disco do Grinderman e tomar cerveja. Weird...
A festa foi fraca, fruto de uma organização fraca. A camiseta do evento era fraca. O DJ era fraco, as bandas estavam estranhas, a acústica era ruim, e as únicas coisas que não haviam levado a noite ao fracasso mais absoluto foram a venda de camisetas no segundo andar e a boa conversa.
No 571 que nos levava de volta ao Leblon, eu pensava em como eram as coisas em 1993. Eram tempos de provações – como todos os tempos – e eu não tinha a menor idéia de como perdia oportunidades após oportunidades.
Em 1993, eu estudava no Liceu Molière, em Laranjeiras. Odiava ir às aulas de Educação Física na Praia Vermelha, gostava de alguns professores, adorava os sanduíches de frango da cantina, e fazia alguns bons amigos. Em 1993, eu morava com minha avó materna, na esquina das ruas Afrânio de Melo Franco e San Martin. Os acidentes eram semanais, a maioria ocorria à noite, resultado de bebedeira e classe social. Eu mesmo quase fui atropelado uma vez, quando um carro dirigido por um playboy passou raspando a uns dez centímetros do meu corpo (acabou atropelando uma senhora cinco metros mais adiante, que felizmente não faleceu...). Em 1993, eu já freqüentava o Empório (Ipanema), a Doctor Smith (Botafogo), a Kitchnet (Copacanaba), e o bar do Chu (ou algo assim, na Barra...). O must da política era passeata contra o Collor e camiseta do Brizola. O must dos assaltos nas ruas era o roubo de tênis importados. O must das festas era gelatina de vodca.
O meu must era, aparentemente, a masturbação.
Sim. Eu lembro de um esquema, um hábito que eu tinha quando, às vezes, voltava do Empório. A banca em frente ao prédio da minha avó costumava ficar aberta 24 horas. De dia, duas mulheres – mãe e filha – tomavam conta do lugar; mas à noite, era o chefe da família, um sujeito pardo, magro, de olhar caído. A banca, é óbvio, estava praticamente vazía no meio da madrugada. E eu aproveitava o fato para comprar revistas e filmes de sacanagem. Em 1993, certas revistas vinham com filmes em VHS (o DVD ainda estava engatinhando...), mas eu não me deixava abalar. Escolhia rapidamente uma ou duas, pagava o sujeito e me mandava, ainda bêbado, para casa.
Não demorou muito para que, assim que o dono da banca me visse, começasse a separar os melhores produtos para mim. Chegava a ser hilário: este vosso humilde escriba voltando, cambaleante e suado, do Empório, e ainda possuindo forças para escolher a melhor revista de sacanagem da prateleira enquanto o sujeito magro devorava seu jantar numa marmita ao som de sucessos da Antena Um FM.
Hoje, esta é uma arte perdida. Como aqueles diálogos entre torturado e torturador em filmes do James Bond. Os moleques de hoje só querem saber de internet. Não têm as ferramentas para diálogo cara-a-cara ou descobertas in loco. Querem algo e querem naquele exato momento, por meio de cliques e abreviações. Os contadores de vantagens ainda pululam, mas as vantagens contadas perderam o ritmo. A televisão e a rede de modas fez um estrago nas gerações nascidas nas décadas de 1980 e 1990. O que dizer da geração do Novo Milênio. Serão os zumbis de amanhã.
Parafraseando as palavras de um cara gente-boa, seria ótimo ter uma chubby-delivery, para entregar uma chubby em domicílio. Contudo, faço minhas as sábias e eternas palavras de Lemmy Kilmister: “the chase is better than the catch”...

A Lei do Mais Forte (ou algo assim...)

Semana cheia. Preocupações e surpresas ruins. O mundo indo para o Inferno. Meu coturno chegou, mas chegou errado. Mandei pro sapateiro português da esquina. Briguei com quem não devia brigar. Fui grosso com quem não tinha coisa alguma com o assunto. Comi demais. Não descansei. Almocei umas costelas naquela penumbra chamada Outback, mas não pedi sobremesa. Dormi pouco, e dormi mal. Caguei para esses assassinatos e pras respectivas coberturas na mídia. Caguei pros candidatos a presidente. Caguei pra CBF e pro assessor da mesma.
Quero escrever mais, quero desenhar mais, e quero que 2010 passe logo. Poucos lêem meus textos, mas eu não chego a me preocupar. O sol se põe, e eu pratico bateria ao som de bootlegs do AC/DC.
Dito isso, digo mais: vou ver “Predadores”, mas caguei, de antemão, pra Alice “Mandíbula” Braga. E nisso, volto a escutar AC/DC...